Acupuntura Neurofuncional


Tratando a matriz da dor.

Por que "neurofuncional"?

O uso de agulhas como método intervencionista para o tratamento de doenças ou sua prevenção é descrito há milhares de anos, em diversas civilizações, tendo se tornado um paradigma no âmbito das civilizações orientais, principalmente a chinesa. Após  a explosiva difusão deste paradigma na área das ciências médicas ocorrida no século 20 buscou-se freneticamente uma base biomédica para explicar seus evidentes efeitos clínicos. Embora o avanço da pesquisa na área da neurociência nas últimas décadas venha mostrando de forma contundente as falácias de uma crença em uma possível especificidade de “pontos” de agulhamento (pontos de acupuntura) mediada pelas estruturas anatômicas subjacentes a esses pontos, uma geração inteira  de profissionais que atuam nesta área de conhecimento acreditou que a chamada acupuntura contemporânea, no auge de um processo de biomedicalização da acupuntura clássica chinesa, pudesse atrelar respostas neurofisiológicas a zonas restritas do corpo humano, transformando a acupuntura numa ciência morta, porquanto não evolutiva (isenta cientificamente). A ciência do agulhamento, tão impermanente quanto a própria humanidade, parece viver um novo período de florescimento ao se perceber o quanto específico se torna o estímulo neuromodulatório de um agulhamento quando executado dentro dos limites da disfunção neuro-sensorial,diagnosticada através de métodos considerados pela moderna medicina instrumentalizada como subjetivos e de baixa-tecnologia, como o exame físico alicerçado em conhecimentos de anatomia funcional.

 No final da década de 90, no Ambulatório de Dor e Acupuntura da Secretaria de Saúde do Município de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, o Dr. Cláudio Couto, médico especialista em acupuntura com prática há mais de 17 anos, começou a desenvolver o uso de agulhas de acupuntura tendo como bússola  apenas o que a neurociência prove de base para os efeitos neuromodulatórios do agulhamento, o que chamou a atenção para uma evidente otimização da resposta clínica ao procedimento. A prática do que se convencionou chamar, a partir daí, de Acupuntura Neurofuncional, nada mais é do que a própria evolução mundial no campo da ciência do agulhamento, que aponta para uma nova realidade, clara e cristalina, de que não existe tal ciência como entidade independente do poder discriminativo do tato e da integração dos dois maiores sistemas informacionais jamais superados pela tecnologia humana, que são o examinador e o examinado.

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